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Memória Encarnada

Método. Prática dirigida de dança, 2025

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As Práticas de Dança Dirigida (PDDs) constituem um procedimento metodológico baseado em sessões de improvisação corporal orientadas por obras de performance previamente selecionadas. Desenvolvidas no âmbito da tese de doutorado Memória Encarnada: poética e violência na performance de mulheres da arte contemporânea, as PDDs foram concebidas como um dispositivo de análise, no qual o corpo da pesquisadora atua como meio de investigação crítica.

Realizadas entre 2023 e 2024, no Brasil e nos Estados Unidos, as PDDs totalizam 38 sessões registradas em Diário de Campo e, quando possível, em vídeo. Cada sessão partiu de um dispositivo conector com a obra estudada — podendo ser uma imagem, instrução, ação ou conceito — que orientava a improvisação sem recorrer à mimetização da performance original. O objetivo não foi reproduzir coreografias, mas ativar, no corpo, estados sensíveis e regimes de atenção capazes de ampliar a compreensão das obras.

As práticas seguiram alguns parâmetros recorrentes:


(1) ativação de um elemento da obra como disparador da ação;
(2) exploração de sensações e respostas corporais;
(3) recusa da reprodução formal; (
4) uso opcional de estímulos sonoros;
(5) escrita automática ao final de cada sessão;
(6) registro audiovisual quando viável.
Esse conjunto permitiu a construção de um arquivo processual que articula experiência sensível e elaboração crítica.

 

Nesse contexto, a performance opera simultaneamente como objeto e método de pesquisa. Ao “performar em relação às performances”, a investigação desloca a análise do campo exclusivamente discursivo para uma zona de implicação corporal, na qual teoria e prática se constituem de maneira indissociável. Trata-se, portanto, de um procedimento que tensiona abordagens tradicionais da história e crítica da arte, ao propor uma forma de conhecimento situada, pelo corpo e com todo o território que ele carrega.

A recorrência das práticas evidenciou a emergência de três campos sensíveis predominantes — dor, prazer e tempo/repetição — que passaram a orientar a organização analítica do material. Esses eixos não derivam de uma classificação prévia, mas de uma sedimentação empírica ao longo das sessões, indicando modos de incidência das obras no corpo.

Por fim, os trechos aqui apresentados, organizados a partir dos três campos sensíveis identificados, não têm pretensão de autonomia artística, mas operam como laboratório de processo. Trata-se de tornar visível um modo de investigação em que o corpo não ilustra a teoria, mas a produz.

Sobre o prazer
Toque pelo corpo a partir da sensibilização do prazer foi o dispositivo utilizado para improviso.

Crédito música: Bel Air de Forró, “Avec Elle”.

Composição de Rodrigo, Marchevsky, Gaëlle Penault. Arranjo de Yann Le Corre.

As práticas ocorreram com diversas músicas, em sua maioria de forró (baião, xaxado e xote).

Sobre a dor
Falta de ar foi com uso de tecido e saco plástico, amarrações para imobilização e repetição até a falha foram alguns dos dispositivos utilizados para esta parte da pesquisa.

Crédito música: Juçara Marçal e Cadu Tenório, “Eka”.

Composição de Juçara Marçal e Cadu Tenório.

Utilizei esta música para ter unidade no vídeo, mas as PDDs ocorreram com diversas paisagens sonoras e, às vezes, no silêncio.

Sobre repetição e tempo

Repetições mecanizadas de movimentos, menos e mais complexos de longa duração foram dispositivos utilizados aqui.

Crédito música em Dançando no museu: Chicha Libre, “Sonido Amazônico”. Crédito imagens em Dançando no museu: Juvenal Pereira e Antonio Herci. Crédito música em Cebola: Marcia Milhazes e Edson Lopes, trilha original. Crédito música repetições de obras: Esperanza Spalding, "The Longing deep down".

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