Coletivo Corpo Ciênico
Cia de dança, 2014-2018

O Corpo Ciênico é um coletivo de investigação em dança criado em 2014, voltado à exploração das relações entre corpo, som, movimento e cidade como campos indissociáveis de produção de conhecimento. Partindo de formações distintas, que atravessam tanto a prática artística quanto a pesquisa científica, o grupo desenvolveu um conjunto de experimentações voltadas a compreender como a dança emerge no corpo, não como forma codificada, mas como resposta sensível a estímulos culturais, urbanos e relacionais. Ativo entre 2014 e 2018, o coletivo estruturou suas práticas a partir da articulação entre repertórios pessoais e referências da cultura popular brasileira, investigando como gestualidades cotidianas podem ser deslocadas para o campo da performance.
A participação no International Symposium on Electronic Art (ISEA 2015) constitui um momento central dessa trajetória. No evento, o grupo apresentou uma performance que articulava danças como frevo, funk e samba — presentes no cotidiano das performers — em diálogo com a paisagem urbana, tensionando as fronteiras entre cultura popular, espaço público e institucionalização artística.
A proposta operava a partir da incorporação de gestos cotidianos, deslocados de seus contextos originais e reinscritos como linguagem performativa. Esse procedimento evidenciava, por um lado, os processos históricos de criminalização de determinadas expressões culturais e, por outro, suas subsequentes reconfigurações em circuitos midiáticos e acadêmicos. Ao acionar esses deslocamentos, a performance instaurava um campo crítico no qual o corpo funcionava como arquivo e meio de enunciação.
Além da apresentação performática, o grupo participou do simpósio com a apresentação de um artigo, seguida de debate com pesquisadores e artistas, ampliando a reflexão para além da prática e situando o trabalho no contexto das discussões contemporâneas sobre arte, tecnologia e cultura.
Ao longo de sua atuação, o Corpo Ciênico consolidou um modo de investigação que articula prática artística e reflexão crítica, antecipando questões que atravessam esta pesquisa, especialmente no que diz respeito ao corpo como lugar de inscrição cultural e ferramenta de análise.







