Dançando no museu
Mediação com dança (MAC-USP), 2016-26

Dançando no Museu consiste em uma prática artístico-investigativa que propõe a ativação do espaço expositivo por meio do corpo em movimento. Desenvolvido a partir da interseção entre dança, mediação cultural e experiência do visitante, o projeto desloca o museu de sua condição predominantemente contemplativa para um campo de experimentação sensível. A proposta parte do entendimento de que o museu não é apenas um espaço de preservação e exibição, mas um ambiente relacional, no qual os modos de circulação, atenção e presença do público constituem parte fundamental da experiência estética. Nesse contexto, a dança opera como dispositivo de mediação, capaz de reconfigurar a relação entre obra, espaço e espectador.
Realizado no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), como parte da pesquisa de mestrado, ele foi estruturado para criar um ambiente horizontal de fruição para as pessoas em sua diversidade. Em vez de conduzir a pessoa visitante por meio de informações discursivas, a proposta introduz uma mediação não verbal, baseada em ritmo, deslocamento, pausa e repetição, tensionando as formas tradicionais de fruição, permitindo maior acessibilidade do público. Essa abordagem dialoga com práticas contemporâneas que inserem a dança em contextos museológicos, nas quais o espaço arquitetônico e o acervo deixam de ser cenário para se tornarem agentes ativos da composição. O Dançando no museu evidenciou como a presença do corpo em movimento pode produzir novas leituras do espaço e incentivar a participação do público, deslocando a percepção habitual do museu .
No desenvolvimento do projeto, foram considerados aspectos como fluxo de visitantes, tempo de permanência nas obras e padrões de circulação para sua realização, lidando com dados reais do público para conseguir mensurar um comportamento futuro. A prática revelou que pequenas intervenções corporais — como alterar o ritmo de deslocamento, sustentar uma pausa prolongada ou repetir gestos em diálogo com obras específicas — são suficientes para produzir rupturas na lógica funcional do espaço expositivo. Essas rupturas não apenas chamam atenção, mas instauram um estado de suspensão que convida o público a reorganizar sua própria forma de presença no museu.
Em 2026 o Dançando no Museu volta ao MAC-USP de forma expandida, como parte da formação de mediadores, que estará na exposição Beijo de Língua, de Nelson Felix, permitindo que seu formato de mediação seja ferramenta para outros grupos e amplie seu alcance.






